quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

onde as sereias se escondem

mareia o mar no maremoto,
mar no maremoto fica confuso porque não sabe se une ou se separa ao vento,
se continua batendo nas pedras feito uma criança furiosa sem o seu amparo,
continua a cuspir suas ondas sobre o calçadão,
seus peixes não entendem tremenda tormenta,
a água é vítima e arma de tanta fúria, é com a água que vinga-se o mar, as fadas, as sereias
que por um instante, vigam-se pelos tantos marinheiros que não conseguiram puxar, por não fazer tantas viúvas em seu lençol,
de tantos barcos que não conseguiram tragar,
de tantas velas que não conseguiram rasgar,
nesta tempo sombrio...de frio e de pele enrugada... enxarcada,
minha pele escamoteia, minhas vestes confundem-se com a areia molhada; não existem mais os castelos na praia, foram invadidos pelo mar revoltoso, impiedoso, não convidado...
até meu chapéu eu perdi dragado pela maré que devora-me minha alma, chicoteia meus pesares,
imagino os cardumes neste balançar quase materno só que de algo bruto como meus tios,
onde as sereias se escodem ou se é que se é que se escondem!
maré,
moto, ..........notei

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

"A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados.
Se os olhos estão na 'caixa de ferramentas' elas são apenas ferramentas
que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, 
nomes de rua - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é
necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam...Mas, quando os olhos estão 
na 'caixa de brinquedos', eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer do olhar, querem fazer amor com o mundo."

Rubem Alves

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

sob o estrondo dos trovões

através das camadas e mais camadas de terra e poeira, o antigo é desvelado.... é reconhecido.
assim trabalham aqueles que significam a arte do passado, esquecidos em seus locais, suplicando a presença do incógnito.
mundos estão lá, no infinito de nossa incapacidade de conectar...hermeticamente isolados em suas gruas, em seus postes, em seus vitrais.
dou alguma forma aos sentimentos dos gargulas que, exaustos vibram ao novo ar, camada por camada.
construimos, significamos, vivenciamos. Os segundos ganham peso quando concentrados e neste processo condensamos linguagens...
minha antiguidade é lentamente revelada....cada etapa é ligada como um elo. Porém, não escuto mais os primeiros.
minha regra vem de controle que por sua vez vem de insegurança....que exala o medo de exposição, de algo íntimo,só meu,único....revivenciando assim o choque da humilhação; volto ao tempo onde o lago transbordou após a longa chuva. Chuva molhada, chuva pesada que de tanto cair, expos os peixes ao solo, pós transbordamento.
lembro daquilo, escondido através das ruinas de minha memória condesada.
já havia me esquecido dos detalhes, do tempo chuvoso, do cheiro da chuva, do cheiro da exposição...
ligado os elos, ponto a ponto começo a reconectar a humilhação.
O grito em vão profanado não obteve fim, não ecoou, não reverberou....saiu e não retornou. ficou só aguardando o retorno, abandonado no tempo dos peixes fora do habitat, sob o estrondo dos trovões.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

tudo entra em meus ouvidos bem agora que desejo o silêncio,
tudo explode ao meu redor bem agora que desejo compactar,
sou o ralo do mundo e seu odor exala em mim,
o caos impera sempre e isto é internamente insurportável,
insuportável por que internalizei minhas repressões,
prendendo-me em falsas regras reais que de tão reais me alegro em sua falsidade
tornei-me absurdamente viciado em leis universais, em sentidos sem muita variação!
hoje sofro por ter acreditado,
que um dia fui livre, leve, entregue,
percebo, cada dia mais, que estou preso em uma malha densa, limitando minha essência,
encinerando meu ser!
tudo me aliena, roubam minhas atenções...processo longo, não me rendo, não me permito!
Acho, dentro deste ciclone, matérias no ar...um vago ponto de silêncio que desponta depois de um clamor
...um clamor de dor
sigo sem norte, sem sentindo....meu sujeito está esfacelado,
minha bússula quebrou

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Zip

Abro-me ao obscuro processo de abrir......

Tempo já sem tempo, lugar sem lugar................

Não sei mais o que pesar, o que relutar......

Sei que aqui seguirei agora, trabalhando.........

o outro lado, cada folha, cada cheiro.

Ah que cheiro bom, cheiro de madeira velha...............

Velho do jeito que gosto e que há muito não sinto esse odor...

O tempo é preciso mencionar. Outro ritmo, outro bater, outro soar

Aqui abro-me......aqui abram-me

...a janela que mostra o obscuro....está aqui!

Reflete, ou melhor, permite o olhar...

É o que realmente pertence..

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

nossas raízes fortalecem nosso caule que sustenta as folhas que trocam com o mundo mundo e em troca temos as flores....vale a pena sempre olhar pras nossas raízes...

...o tempo sem futuro....

....acreditar que não existe o momento seguinte, o passo atrelado ao impulso, o caixe do encaixe....é infinitamente quase impossível. É como se conseguissemos, apenas com uma mão, parar o expresso mais rápido da Índia....janela veloz....ondas....saris, curry! uhhhhrrrrrrrrrrrrr....

desprender essa cola do tempo - futuro é agora.....já foi. sempre corremos para conquistar e logo conhecemos o sabor da derrota....vivemos tentando e sofrendo, criando rastro, alcançamos no máixmo seu perímetro e alcancá-lo já é  bom demais!

Cristalizar o corpo.
deixando-o ao vazio inerte