quarta-feira, 23 de novembro de 2011

"A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados.
Se os olhos estão na 'caixa de ferramentas' elas são apenas ferramentas
que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, 
nomes de rua - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é
necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam...Mas, quando os olhos estão 
na 'caixa de brinquedos', eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer do olhar, querem fazer amor com o mundo."

Rubem Alves

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

sob o estrondo dos trovões

através das camadas e mais camadas de terra e poeira, o antigo é desvelado.... é reconhecido.
assim trabalham aqueles que significam a arte do passado, esquecidos em seus locais, suplicando a presença do incógnito.
mundos estão lá, no infinito de nossa incapacidade de conectar...hermeticamente isolados em suas gruas, em seus postes, em seus vitrais.
dou alguma forma aos sentimentos dos gargulas que, exaustos vibram ao novo ar, camada por camada.
construimos, significamos, vivenciamos. Os segundos ganham peso quando concentrados e neste processo condensamos linguagens...
minha antiguidade é lentamente revelada....cada etapa é ligada como um elo. Porém, não escuto mais os primeiros.
minha regra vem de controle que por sua vez vem de insegurança....que exala o medo de exposição, de algo íntimo,só meu,único....revivenciando assim o choque da humilhação; volto ao tempo onde o lago transbordou após a longa chuva. Chuva molhada, chuva pesada que de tanto cair, expos os peixes ao solo, pós transbordamento.
lembro daquilo, escondido através das ruinas de minha memória condesada.
já havia me esquecido dos detalhes, do tempo chuvoso, do cheiro da chuva, do cheiro da exposição...
ligado os elos, ponto a ponto começo a reconectar a humilhação.
O grito em vão profanado não obteve fim, não ecoou, não reverberou....saiu e não retornou. ficou só aguardando o retorno, abandonado no tempo dos peixes fora do habitat, sob o estrondo dos trovões.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

tudo entra em meus ouvidos bem agora que desejo o silêncio,
tudo explode ao meu redor bem agora que desejo compactar,
sou o ralo do mundo e seu odor exala em mim,
o caos impera sempre e isto é internamente insurportável,
insuportável por que internalizei minhas repressões,
prendendo-me em falsas regras reais que de tão reais me alegro em sua falsidade
tornei-me absurdamente viciado em leis universais, em sentidos sem muita variação!
hoje sofro por ter acreditado,
que um dia fui livre, leve, entregue,
percebo, cada dia mais, que estou preso em uma malha densa, limitando minha essência,
encinerando meu ser!
tudo me aliena, roubam minhas atenções...processo longo, não me rendo, não me permito!
Acho, dentro deste ciclone, matérias no ar...um vago ponto de silêncio que desponta depois de um clamor
...um clamor de dor
sigo sem norte, sem sentindo....meu sujeito está esfacelado,
minha bússula quebrou

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Zip

Abro-me ao obscuro processo de abrir......

Tempo já sem tempo, lugar sem lugar................

Não sei mais o que pesar, o que relutar......

Sei que aqui seguirei agora, trabalhando.........

o outro lado, cada folha, cada cheiro.

Ah que cheiro bom, cheiro de madeira velha...............

Velho do jeito que gosto e que há muito não sinto esse odor...

O tempo é preciso mencionar. Outro ritmo, outro bater, outro soar

Aqui abro-me......aqui abram-me

...a janela que mostra o obscuro....está aqui!

Reflete, ou melhor, permite o olhar...

É o que realmente pertence..

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

nossas raízes fortalecem nosso caule que sustenta as folhas que trocam com o mundo mundo e em troca temos as flores....vale a pena sempre olhar pras nossas raízes...

...o tempo sem futuro....

....acreditar que não existe o momento seguinte, o passo atrelado ao impulso, o caixe do encaixe....é infinitamente quase impossível. É como se conseguissemos, apenas com uma mão, parar o expresso mais rápido da Índia....janela veloz....ondas....saris, curry! uhhhhrrrrrrrrrrrrr....

desprender essa cola do tempo - futuro é agora.....já foi. sempre corremos para conquistar e logo conhecemos o sabor da derrota....vivemos tentando e sofrendo, criando rastro, alcançamos no máixmo seu perímetro e alcancá-lo já é  bom demais!

Cristalizar o corpo.
deixando-o ao vazio inerte


domingo, 19 de junho de 2011

carta a um amigo que partiu sem dizer adeus

acabo de experimentar um outro lado da infantilidade!
aconteceu novamente, como há tempos isso acontece,
mesmo estranhamento, mesmos espasmos, mesmos espantos.
o tempo parou...terminou...
não mandou cartas, não escreveu poesias, não se despiu como era esperado -
ele, ele simplesmente parou...
Os papos interessantes, o serviço prestado com destresa de um equilibrista(
que desafia o desafiar...o ritmo impresso por sua destresa de ser...
Percebi, na simplicidade de uma criança, que estas lenhas não são mais pra ti...
que o circo fechou, a luz apagou, o trem passou e a noite raiou...só!
Amigo de lá de Castella, de outros lugares...ao lado de Piaf....

quarta-feira, 25 de maio de 2011

escrevo agora, depois de longa data. intervalo da razão...intervalo para a razão.

preocupação estética persitente, mas o ar já está um pouco mais leve...

cada dia mais aprofundo-me, internalizo-me....devoro-me

Percebo novamente o perceber, a centrada noção do perceber....aquele que segue lá....

acho que de certa maneira o exílio foi necessário. Era irritantemente difícil de escrever...

já não sou dos dois universos....sou pertencente a duas estações e nisto, sou um cidadão do nada, do sem-tempo....do não lugar...

se sigo pela filosofia.....poderão talvez, ao máximo, dizerem que tentei o não dentro....que alcancei o inalcançavel.... Pois bem, só sei que não posso afirmar e que sinto ainda muito por este estado....

Sei das recíprocas e produção nisto tudo...colho e sinto prazer em colher, porém a dor ainda é maior e, com isso, não sou de lá nem de cá....mesmo sabendo que tudo se encaixará da forma mais desencaixadamente desencaixante....

a observação e a tradução dela é necessária, quê beleza!  mas recolhe-me a fato realmente afirmar...

o teclado estava desacostumado já com a tarefa de articular e organizar as letras deste arranjo um pouco confuso.....mas ao mesmo tempo ele está sendo testemunnha de um maravilhoso estado de verdade...

....poderia estar mentindo, poderia estar contando uma história. Abro-me ao acaso, ao levar da semente na boca de um pássaro...ou da menssagem da garrafa....faço ecoar e reverberar o som da minha existência....

sentado ao chão,escutando a maquina lavar e as buzinas dos carros fazendo o que mais sabem fazer......

buzinar...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

...tomilho - de - proveta...

....não me canso de molhar o meu tomilho! Não sei se por acaso, descaso, tédio, alegria, amor e mais amor...
Sei que ele precisa de água; sem ela ele morre. E morrerá seco e caído sem esta "bendita" água benta-salvadora...
Quem nos fornece a nossa benção diária? A Tv está ganhando....penso que por muito tempo ela será o algoz...
Mas é engraçado o percursso que faço até salva-lo da morte seca. Triste seca em São Paulo....mas não está chovendo? Meu querido tomilho parece não saber disso....é bebe de proveta, criado em laboratório, algo anti-natural. Estou preservando meu tomilho, salvando-o constantemente, rotineiramente, dementemente......salvando-o de sua morte natural! Pra que? Me pergunto agora pra que, porra?
Ele clama todo o dia pela morte e eu escravizo seu dilema para apagar a ou transmutar,transfigurar minha vida pequena, sintética, reclusa! Meu tomilho é meu escravo atual....preservo-o contra as intepéries deste nosso clima doido, para saciar meu paladar faminto de profundidade, de habilidade,de suportabilidade.....neste mundo doido em demasia.....Daqui a pouco preciso molhá-lo....que merda....me pego realmente andando em direção a minha neurose, esclerose, simbiose....narcose!

Viva! ou não viva tomilho, eis a questão!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Hoje eu comi bife....

Hoje comi bife,

Posso escrever que não sei porque, mas não sou mais o mesmo...Não consigo mais escrever agora...tento depois.....

Perdi a vontade de dedicar-me ao ato de teclar....pensamentos ainda florescem mas não pretendo, agora mais, dedicar-me....

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

pétalas da preguiça

Preguiça, preguiça...já sei que você está aí! Aliás, sei também porque a senhora vem nos visitar as vezes....

Esta aí é daquelas que paralisam, que "estatizam" o momento, não fazemos mais nada....ela vem, nós sentimos e não fazemos; mas não tem problema...pois agora eu vejo e percebo sua chegada....percebo a oportunidade que ela me trás em suas visitas, como biscoitos que compartiham o chá que esfria...

Agora deixo-a agir consciente, já a desvelei...ela que não sabe...preguiça tola! Ela aparece no e do medo,é uma manisfestação disto...preguiça chata....preguiça infantil...eita preguicinha ruim sô!

O processo é lento mas é contínuo, sinto as transições...sinto as eras....os ciclos.... nossas luas, tremendas luas!

Percebo neste momento isto, construção de minha história, base de minha clivagem, estrutura da minha consciência...

Como nos transformamos em nossas voltas, em nossos giros...precisamos nos render ao carrossel, em seus altos e baixos para que possamos compreender que neste jogo, o sair de posição requer tempo, volta-se no tempo, viaja-se no tempo....Kant nos deu a base de nossa percepção delineada por este signo....

....ainda não percebemos nossa preguiça....